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Trabalhar na Antártida: você teria coragem?

Você teria coragem de viver e trabalhar na Antártida? Pode parecer cenário de filme, mas o continente gelado está com vagas abertas — e não é só para cientistas.

Tanto o British Antarctic Survey (BAS), do Reino Unido, quanto o United States Antarctic Program, dos Estados Unidos, estão recrutando profissionais para a próxima temporada. Além de pesquisadores, há oportunidades para chefs, eletricistas, encanadores, carpinteiros, médicos, paramédicos e até cabeleireiros. Ou seja, dá para trabalhar “no fim do mundo” em várias áreas.

Um exemplo é Dan McKenzie, de 38 anos. Ex-engenheiro naval, ele hoje é chefe da estação Halley VI, uma das cinco bases administradas pelo BAS. A estação fica sobre a plataforma de gelo Brunt e parece saída de um filme de ficção científica.

Divulgação (Dan McKenzie)

Verão da Antártida

No verão antártico, que vai de novembro a fevereiro, Dan lidera uma equipe de cerca de 40 pessoas. A base monitora dados espaciais e atmosféricos e acompanha o buraco na camada de ozônio. Mesmo no “verão”, as temperaturas podem chegar a -40°C, com média de -20°C. E tem mais: durante essa época, o sol praticamente não se põe.

Apesar do frio extremo, Dan conta que o maior desafio não é o clima, mas a convivência. Como chefe da base, ele cuida dos suprimentos, da segurança e também do bem-estar emocional da equipe. Afinal, viver isolado, dividindo quarto e rotina com as mesmas pessoas todos os dias, exige jogo de cintura.

Ao todo, cerca de 5 mil pessoas trabalham na Antártida durante o verão, espalhadas por aproximadamente 80 estações de pesquisa de 30 países. Só o BAS contrata até 150 profissionais por ano. Os salários começam em cerca de £ 31 mil por ano (aproximadamente R$ 218 mil), com viagem, hospedagem, alimentação e roupas especiais pagas pela instituição.

Mas é bom saber: alimentos frescos são raros, o consumo de álcool é controlado e a privacidade quase não existe. As equipes trabalham todos os dias da semana, e o processo seletivo inclui testes psicológicos e treinamento rigoroso.

Mesmo assim, para muitos, a experiência compensa. Dan já viu baleias, focas e até uma colônia de pinguins-imperadores. Segundo ele, a sensação de liberdade e de fazer parte de algo maior torna tudo inesquecível. E aí, você iria?