Diferença salarial entre homens e mulheres chega a quase 30% em SC

Santa Catarina é o sexto estado do país com a maior diferença salarial entre homens e mulheres. A remuneração das catarinenses é em média 29,4% menor do que a dos homens no setor privado do mercado de trabalho. Os números fazem parte do 1º Relatório de Transparência Salarial, divulgado na segunda-feira (25) pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres.

A diferença salarial de homens e mulheres no Estado só não é maior do que a registrada no Espírito Santo (35,1%), Paraná (33,8%), Mato Grosso (32,6%), Mato Grosso do Sul (31,4%) e Amapá (29,5%). A desigualdade fica acima também da média nacional brasileira, que apontou discrepância de 19,4% entre os salários de homens e mulheres no mercado de trabalho privado.

Em valores, as mulheres têm remuneração média de R$ 3.219,68 em Santa Catarina, enquanto os homens recebem em média R$ 4.561,23. A menor desigualdade salarial do país foi registrada no Piauí, com mulheres recebendo em média 6,3% a menos do que os homens.

Diferença Salarial aumenta entre cargos de chefia

Entre os cargos a diferença chega a ser ainda maior, segundo o levantamento do Ministério do Trabalho. Para funções de dirigentes e gerentes, a desigualdade salarial chega a 38,7% em Santa Catarina. A menor diferença entre trabalhadores masculinos e femininos no Estado ocorre nas funções de serviços administrativos, com 20,4% de variação.

Mulheres negras têm remuneração média menor

Outros recortes que apontam diferenças salariais são entre mulheres negras e não negras (brancas, indígenas e amarelas). Segundo os dados do levantamento do Ministério do Trabalho, as mulheres negras recebem 23,1% a menos do que as mulheres não negras catarinenses. Em valores, as colaboradoras negras de Santa Catarina têm rendimento médio de R$ 2.580,94, contra R$ 3.357,62 das trabalhadoras que não são negras.

Levantamento tem informações de 49 mil empresas

O levantamento reúne informações de enviadas por 49.587 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por quase 17,7 milhões de empregos.

O envio dos dados por parte das empresas foi uma exigência da lei que obriga a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens, sancionada pelo presidente Lula em julho de 2023. As informações repassadas são anônimas, sem identificações pessoais.

O levantamento permite a análise da situação atual dos trabalhadores e das políticas de incentivo à contratação de mulheres. As empresas que tiveram desigualdade salarial devem ser notificadas e precisarão elaborar planos para solucionar o problema. Os resultados completos do levantamento estão disponíveis em um painel sobre transparência salarial.