Nesta segunda-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Durante o encontro, ela sinalizou que a empresa precisará reajustar o preço do diesel. A estimativa estatal de que o aumento ficará entre R$ 0,18 e R$ 0,24 por litro. A decisão pode ser aprovada nesta quarta-feira (29), quando o Conselho de Administração da Petroleira se reunir. Por enquanto, os preços da gasolina e do gás d
Defasagem de preços e impacto na Petrobras
Segundo o setor de transportes, o reajuste ocorre devido à defasagem nos preços dos combustíveis, especialmente no diesel. Em 2024, a Petrobras não fez nenhuma intervenção no valor do combustível. De acordo com a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), a diferença entre o preço do diesel no Brasil e no mercado internacional chegou a 16%, o que representa R$ 0,50 por litro. Essa defasagem reduz a margem de lucro da Petrobras e gera insatisfação entre acionistas privados.
Reajuste pode pressionar preços dos alimentos
O governo Lula enfrenta um cenário desafiador, pois busca controlar a inflação dos alimentos. Em 2023, esse setor teve alta de 7,69%, contribuindo para a elevação do IPCA-15 de janeiro. O setor de transporte, que depende diretamente do diesel, foi o segundo que mais impactou a inflação. Com o reajuste do combustível, os preços dos alimentos podem subir ainda mais.
“Qualquer alimento que chega aos supermercados depende de transportes, que, por sua vez, precisa de combustíveis”, explica a economista Fernanda Mansano. Segundo ela, o efeito do aumento do diesel será sentido
Fora
Apesar da alta no diesel, a economista destaca que a sazonalidade também interfere nos preços. “Uma safra positiva pode reduzir o valor de um alimento ou impedir que ele suba tanto
Além disso, a taxa de câmbio é um fator decisivo para o custo dos alimentos, segundo especialistas. O economista Paulo Gala explica que produtos como soja, trigo, carnes e café são precificados no mercado internacional e dependem da cotação do real frente ao dólar.
“Se o dólar cair para R$ 5,70 ou R$ 5,60, haverá um efeito poderoso na redução dos preços”, afirma Gala. Ele reforça que, embora o aumento do diesel e do ICMS influencie a inflação dos alimentos, o câmbio tem um impacto ainda maior. Em 2024, a desvalorização do real ultrapassou 25%, o que contribuiu para o aumento geral dos preços.